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Uma em cada 3 cidades brasileiras está suscetível a inundações, enchentes e deslizamentos de terra

Levantamento do governo federal estima que 1.942 municípios – onde vivem 73% da população brasileira – estão em risco de eventos como o que assola o Rio Grande do Sul e já provocou estragos em Petrópolis (RJ) e São Sebastião (SP). O dado, contudo, pode ser ainda maior

Balanço da Defesa Civil do RS desta sexta (17) confirmou 154 pessoas mortas. Ao menos 98 estão desaparecidas

São Paulo – Desastres climáticos como o que assola o Rio Grande do Sul e já provocou destruição e mortes em São Sebastião (SP) e em Petrópolis (RJ) podem se repetir em pelo menos outros 1.942 municípios brasileiros. É o que estima a Secretaria Especial de Articulação e Monitoramento, órgão vinculado à Casa Civil, em nota técnica divulgada nesta sexta-feira (17). Uma em cada três cidades está localizada em área de risco recorrente para desastre climático, como inundações, enchentes e deslizamentos de terra.

Apesar de já relevante, esse número de cidades em risco pode ser ainda maior. O documento é baseado no Atlas de Desastre e Sistema Integrado de Informações sobre Desastres, que compila eventos do tipo entre 1991 e 2022. Por conta disso, as informações listadas não consideram os eventos mais recentes provocados pelas mudanças climáticas principalmente no sul do país. Apenas 142 municípios gaúchos, por exemplo, constam na nota técnica. Bem abaixo do total de 450 cidades que foram afetadas pelas fortes chuvas, segundo dados da Defesa Civil do RS.

Mas, mesmo com o número subestimado, o número de pessoas que vivem nesses municípios com algum grau de risco é equivalente a 73% da população brasileira. Nas 1.942 cidades vivem 148,8 milhões de pessoas.

Cidades com risco de desastre
Para chegar à projeção, o governo federal levou em conta localidades com óbitos devido a desastres ligados ao clima entre 1991 e 2022. Assim como a ocorrência de 10 registros ou mais de desastres no período. A metodologia também abarcou a apresentação de mais de 900 pessoas desalojadas/desabrigadas; 500 pessoas ou mais em áreas mapeadas com risco geo-hidrológico; localidades com alta vulnerabilidade a inundações e a ocorrência de 400 dias de chuvas, ou mais, acima de 50 milímetros entre 1981 a 2022.

Entre 1991 a 2022, essas cidades com risco de desastre registraram 3.890 mortes em 16.241 desastres. O que deixou 7,9 milhões de desabrigados/desalojados. A quantidade de pessoas em área de risco geo-hidrológico totaliza 8,9 milhões, de acordo com a nota técnica. Já os municípios suscetíveis a movimentos de massa, os chamados deslizamentos, somam 1.023. Enquanto os que podem ter alagamentos e enxurradas são 1.766 e 1.811 estão suscetíveis a inundações. Um mesmo município pode ter ainda mais de um tipo diferente de risco identificado.

Populações nos municípios em risco
O levantamento destaca que o Sudeste brasileiro concentra a maior população exposta aos riscos. Minas Gerais é o estado com maior quantitativo de cidades com risco de desastres naturais, com 283. Na sequência vem São Paulo (172), Rio de Janeiro (75) e Espírito Santo (71). No Sul, Santa Catarina desponta com o maior número de municípios (207) e pessoas expostas aos riscos, seguido do Rio Grande do Sul (142) e Paraná (80).

Já na região Nordeste, destacam-se a Bahia (137), Maranhão (110), Pernambuco (106) e Ceará (74). A Bahia também tem a maior proporção do Brasil de população de seus municípios suscetíveis em áreas mapeadas aos riscos (17,3%). O Norte, caracterizado por inundações graduais, tem no Pará (82) e do Amazonas (59) os maiores números de municípios com risco.

No Centro-Oeste o percentagem de registro de eventos e de pessoas expostas aos riscos é o menor. Com 40 cidades, Mato Grosso apresenta o maior número de municípios mais suscetíveis na região. Mas o Mato Grosso do Sul tem a maior quantidade de pessoas mapeadas em áreas de riscos (25.092).

Desastre na cidade de Teresópolis
O mapeamento de cidades sob risco começou a ser feito no início de 2011, após as fortes chuvas que atingiram a cidade de Teresópolis, na região serrana do Rio. Essa é considerada a maior catástrofe de origem geohidrológica do país. Mais de 900 pessoas morreram após dois dias de chuva que provocou deslizamento de terra e deixou ao menos 350 pessoas desaparecidas, além de milhares de desabrigados.

A tragédia levou à criação do Plano Nacional de Gestão de Crises e Respostas a Desastres Naturais, sob a coordenação da Casa Civil no governo da presidenta Dilma Rousseff (PT). No entanto, a falta de efetivação do plano e de políticas para o enfrentamento das mudanças climáticas tem levado a novos desastres. Como em 2022, em Petrópolis, também na região serrana fluminense. Deslizamentos deixaram 235 mortos e hoje há ainda 70 mil pessoas vivendo em áreas de risco na região.

Agora no Rio Grande do Sul
No início do ano passado, outras 64 pessoas morreram com deslizamento de encostas em São Sebastião, no litoral norte de São Paulo. Agora no Rio Grande do Sul, 154 óbitos já foram confirmados em balanço da Defesa Civil desta sexta. Ao menos 98 pessoas seguem desaparecidas e quase 620 mil pessoas estão fora de suas casas.

Atualmente, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) conta com equipamentos de monitoramento de chuvas em 1.133 municípios brasileiros. A previsão é de que eles sejam instalados nas 1.942 cidades listadas até o fim de 2027.
(Fonte: Rede Brasil Atual))

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