{"id":3109,"date":"2025-12-04T13:59:34","date_gmt":"2025-12-04T16:59:34","guid":{"rendered":"https:\/\/sindticccba.org.br\/?p=3109"},"modified":"2025-12-04T14:01:51","modified_gmt":"2025-12-04T17:01:51","slug":"sindicalizacao-volta-a-crescer-e-chega-a-89-em-2024-apos-anos-de-queda-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindticccba.org.br\/index.php\/2025\/12\/04\/sindicalizacao-volta-a-crescer-e-chega-a-89-em-2024-apos-anos-de-queda-no-brasil\/","title":{"rendered":"Sindicaliza\u00e7\u00e3o volta a crescer e chega a 8,9% em 2024 ap\u00f3s anos de queda no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Alta no \u00edndice de sindicaliza\u00e7\u00e3o de trabalhadores est\u00e1 ligada ao crescimento do emprego formal em setores urbanos e grandes empresas, contrariando tend\u00eancia mundial e nacional de queda desde os anos 1990<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/sindticccba.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CUT-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-3110 size-full\" src=\"https:\/\/sindticccba.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CUT-1.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"460\" srcset=\"https:\/\/sindticccba.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CUT-1.jpg 700w, https:\/\/sindticccba.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CUT-1-300x197.jpg 300w, https:\/\/sindticccba.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CUT-1-696x457.jpg 696w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Ap\u00f3s d\u00e9cadas de queda, a sindicaliza\u00e7\u00e3o voltou a crescer no Brasil em 2024. A recupera\u00e7\u00e3o acompanha a melhora do mercado de trabalho, especialmente o avan\u00e7o do emprego assalariado com carteira desde 2023. Com isso, a taxa nacional subiu de 8,4% para 8,9% entre 2023 e 2024, interrompendo a trajet\u00f3ria negativa.<\/p>\n<p>Mais de 811 mil trabalhadores passaram a ser sindicalizados, elevando o total de 8.253.983 para 9.065.581. O movimento, segundo a an\u00e1lise, \u201ccontrariou a tend\u00eancia mundial (e mesmo nacional) recente\u201d e est\u00e1 diretamente ligado \u00e0 retomada do emprego formal.<\/p>\n<p>Os dados foram levantados e analisados pelo Departamento Intersindical de Estat\u00edsticas e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese), com passe nas informa\u00e7\u00f5es da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (Pnad), produzida pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edsticas).<\/p>\n<p>Os n\u00fameros dialogam diretamente com o levantamento recente feito pelo Vox\/Populi, encomendado pela CUT que, entre outros dados, mostra que a maioria dos trabalhadores (68%) consideram os sindicatos importantes para defender direitos, mediar conflitos e melhorar sal\u00e1rios.<\/p>\n<p>Sindicaliza\u00e7\u00e3o na hist\u00f3ria<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da sindicaliza\u00e7\u00e3o no Brasil come\u00e7a ap\u00f3s 1930, quando se consolidou o modelo de \u201ccidadania regulada\u201d, com forte controle estatal sobre o movimento sindical. O auge veio entre as d\u00e9cadas de 1970 e 1980, impulsionado pela industrializa\u00e7\u00e3o e pelas lutas contra a carestia, mesmo sob a repress\u00e3o do regime militar. Esse crescimento estava diretamente apoiado na expans\u00e3o do emprego assalariado urbano industrial, que dava estrutura ao mercado de trabalho e \u00e0s bases sindicais.<\/p>\n<p>A partir dos anos 1990, por\u00e9m, inicia-se um processo de lento e cont\u00ednuo decl\u00ednio. O pa\u00eds passa por desindustrializa\u00e7\u00e3o, perda de postos formais e aumento da precariza\u00e7\u00e3o e da informalidade \u2014 tend\u00eancia observada tamb\u00e9m internacionalmente. Ao mesmo tempo, ocorre uma fragmenta\u00e7\u00e3o organizativa, com mais entidades e menor densidade de filia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio levanta quest\u00f5es centrais: a queda da sindicaliza\u00e7\u00e3o decorre sobretudo da transforma\u00e7\u00e3o na composi\u00e7\u00e3o do emprego \u2014 menos assalariamento formal \u2014 ou tamb\u00e9m de fatores ideol\u00f3gicos e disputas sobre o pr\u00f3prio papel dos sindicatos?<\/p>\n<p>Em n\u00fameros, a taxa de sindicaliza\u00e7\u00e3o caiu de uma m\u00e9dia de 17,8% (1990\u20132014) para 13,3% (2014\u20132019).<\/p>\n<p>J\u00e1 em 2022, o \u00edndice recuou para 9,2% e, em 2023, atingiu 8,4%, o menor percentual da s\u00e9rie hist\u00f3rica. Esse decl\u00ednio foi agravado pela explos\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es laborais que escapam da prote\u00e7\u00e3o coletiva e dos espa\u00e7os de negocia\u00e7\u00e3o formal.<\/p>\n<p>Entre os fatores estruturais do enfraquecimento, a Reforma Trabalhista de 2017 teve papel central.<\/p>\n<p>\u201cA Reforma Trabalhista de 2017 resultou, no Brasil, em perda de capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o, com acelera\u00e7\u00e3o e generaliza\u00e7\u00e3o da queda da sindicaliza\u00e7\u00e3o, precariza\u00e7\u00e3o, terceiriza\u00e7\u00f5es e &#8216;pejotiza\u00e7\u00f5es&#8217; e desest\u00edmulo \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o coletiva com a flexibiliza\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o trabalhista\u201d, diz Leandro Horie, t\u00e9cnico do Dieese<\/p>\n<p>Ele explica ainda que a expans\u00e3o do trabalho por conta pr\u00f3pria e do microempreendedor individual aprofundara o problema estrutural da representa\u00e7\u00e3o sindical.<\/p>\n<p>\u201cOs MEIs passaram de 4 milh\u00f5es em 2015 para mais de 15 milh\u00f5es em 2024. No total dos ocupados, 25,16% eram conta pr\u00f3pria, enquanto o emprego formal privado correspondia a 37,41%, e os trabalhadores sem carteira chegavam a 13,74%\u201d, diz, complementando que \u201co atual modelo de representa\u00e7\u00e3o permanece \u201cbaseado no assalariamento formal\u201d, o que exclui amplas parcelas da for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n<p>Virada em 2024: formaliza\u00e7\u00e3o e grandes empregadores impulsionaram recupera\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>A retomada ocorreu especialmente em regi\u00f5es urbanas do Sul, Sudeste e Centro-Oeste exceto Distrito Federal). S\u00e3o Paulo registrou varia\u00e7\u00e3o acima da m\u00e9dia nacional, com avan\u00e7o de 8,8% para 10,8% no per\u00edodo de um ano.<\/p>\n<p>\u201cO fato de o peso da gera\u00e7\u00e3o de postos de trabalho ter ocorrido em grandes empresas tamb\u00e9m auxiliou o resultado, j\u00e1 que tradicionalmente s\u00e3o tamanhos de estabelecimentos com maior densidade sindical\u201d, explica Leandro Horie,<\/p>\n<p>De acordo com o estudo, a din\u00e2mica do mercado de trabalho entre 2023 e 2024 mostrou:<\/p>\n<p>Redu\u00e7\u00e3o da propor\u00e7\u00e3o do emprego em micro e pequenas empresas<br \/>\nAumento da cria\u00e7\u00e3o de vagas em empresas de 500 empregados ou mais onde historicamente a densidade sindical \u00e9 maior<br \/>\nEssa composi\u00e7\u00e3o diferenciada da recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica foi decisiva para o saldo positivo.<\/p>\n<p>Perfil de sindicalizados e desigualdades<\/p>\n<p>A sindicaliza\u00e7\u00e3o segue desigual entre categorias profissionais e setores econ\u00f4micos. Os assalariados do servi\u00e7o p\u00fablico continuam sendo o n\u00facleo mais organizado. Em 2024, as maiores taxas de filia\u00e7\u00e3o por posi\u00e7\u00e3o na ocupa\u00e7\u00e3o foram:<\/p>\n<p>Posi\u00e7\u00e3o na ocupa\u00e7\u00e3o Taxa de sindicaliza\u00e7\u00e3o<br \/>\nEmpregados do ssetor p\u00fablico com carteira 16,0%<br \/>\nEmpregados do setor privado com carteira 11,2%<br \/>\nTrabalhadores dom\u00e9sticos com carteira 2,2%<\/p>\n<p>Por setor econ\u00f4mico, destacam-se:<\/p>\n<p>Educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade humana e servi\u00e7os sociais \u2014 15,6%<br \/>\nAdministra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, defesa e seguridade social \u2014 15,2%<br \/>\nAgricultura, pecu\u00e1ria e pesca \u2014 14,8%<br \/>\nOs menores \u00edndices est\u00e3o nos servi\u00e7os dom\u00e9sticos (2,6%) e na constru\u00e7\u00e3o civil (3,6%).<\/p>\n<p>Por categorias, houve crescimento das taxas entre 2023 e 2024 em:<\/p>\n<p>Financeiro: 16,3% \u2192 18,9%<br \/>\nQu\u00edmico: 10,9% \u2192 13,4%<br \/>\nAl\u00e9m de Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, Sa\u00fade e Seguridade Social, Urbanit\u00e1rios, Metal\u00fargicos, Vestu\u00e1rio e Transporte<br \/>\nAs \u00fanicas quedas ocorreram entre trabalhadores rurais e no ramo da alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Dimens\u00e3o demogr\u00e1fica: mais participa\u00e7\u00e3o de jovens, mas envelhecimento persiste<\/p>\n<p>Houve aumento de sindicaliza\u00e7\u00e3o para homens e mulheres, e entre negros e n\u00e3o negros. A base, por\u00e9m, segue concentrada na popula\u00e7\u00e3o trabalhadora mais velha:<\/p>\n<p>Trabalhadores com 40+ anos representam 51,8% dos sindicalizados<br \/>\nAinda assim, a melhora de 2024 teve destaque nos jovens de 18 a 24 anos, ap\u00f3s anos de forte retra\u00e7\u00e3o nesse grupo.<\/p>\n<p>Desafios permanecem apesar do avan\u00e7o<\/p>\n<p>A recupera\u00e7\u00e3o recente ocorre em um contexto ainda fr\u00e1gil. \u201cO crescimento do emprego com carteira se deu com participa\u00e7\u00e3o importante de setores econ\u00f4micos com baixa densidade sindical, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o do setor p\u00fablico e ind\u00fastria\u201d, observa o t\u00e9cnico do Dieese.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o desest\u00edmulo \u00e0s negocia\u00e7\u00f5es coletivas p\u00f3s-reforma trabalhista continua limitando o alcance da organiza\u00e7\u00e3o sindical.<\/p>\n<p><em>(Fonte: CUT Brasil, 04\/12\/2025)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alta no \u00edndice de sindicaliza\u00e7\u00e3o de trabalhadores est\u00e1 ligada ao crescimento do emprego formal em setores urbanos e grandes empresas, contrariando tend\u00eancia mundial e nacional de queda desde os anos 1990 Ap\u00f3s d\u00e9cadas de queda, a sindicaliza\u00e7\u00e3o voltou a crescer no Brasil em 2024. 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