{"id":2482,"date":"2025-03-27T11:24:13","date_gmt":"2025-03-27T14:24:13","guid":{"rendered":"https:\/\/sindticccba.org.br\/?p=2482"},"modified":"2025-03-27T11:24:13","modified_gmt":"2025-03-27T14:24:13","slug":"saiba-os-motivos-que-levam-alguns-setores-a-estarem-com-escassez-de-mao-de-obra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindticccba.org.br\/index.php\/2025\/03\/27\/saiba-os-motivos-que-levam-alguns-setores-a-estarem-com-escassez-de-mao-de-obra\/","title":{"rendered":"Saiba os motivos que levam alguns setores a estarem com escassez de m\u00e3o de obra"},"content":{"rendered":"<p>Aus\u00eancia de pol\u00edticas atrativas explica a falta de trabalhadores em setores como supermercados e constru\u00e7\u00e3o civil, e n\u00e3o \u00e9 aus\u00eancia de qualifica\u00e7\u00e3o, apontam presidentes da Contracs e Conticom<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/sindticccba.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Obra.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-2483\" src=\"https:\/\/sindticccba.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Obra.jpeg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"460\" srcset=\"https:\/\/sindticccba.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Obra.jpeg 700w, https:\/\/sindticccba.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Obra-300x197.jpeg 300w, https:\/\/sindticccba.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Obra-696x457.jpeg 696w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Ultimamente setores de supermercado e da constru\u00e7\u00e3o civil t\u00eam divulgado em sites especializados do setor e em grandes empresas de comunica\u00e7\u00e3o que est\u00e3o com dificuldades de contrata\u00e7\u00e3o de trabalhadores e trabalhadoras por conta da falta de m\u00e3o de obra especializada. Afirma\u00e7\u00e3o essa que sindicalistas da CUT discordam.<\/p>\n<p>Julimar Roberto de Oliveira Nonato, presidente da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores no Com\u00e9rcio e Servi\u00e7os (Contracs), diz que o primeiro ponto a ser esclarecido nessa quest\u00e3o \u201c\u00e9 que a falta de qualifica\u00e7\u00e3o dos trabalhadores est\u00e1 fora de cogita\u00e7\u00e3o. Na verdade, ocorre o oposto: os profissionais est\u00e3o cada vez mais capacitados. Essa realidade permite que escolham empregos melhores. Os trabalhadores optam por n\u00e3o aceitar vagas nesses estabelecimentos porque t\u00eam alternativas mais vantajosas\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Cl\u00e1udio da Silva Gomes, o Claudinho, presidente da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores nas Ind\u00fastrias da Constru\u00e7\u00e3o e da Madeira, filiados \u00e0 CUT (Conticom), refor\u00e7a esse argumento e tira a responsabilidade da falta de especializa\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra na constru\u00e7\u00e3o civil.<\/p>\n<p>Para ele, \u201co problema n\u00e3o est\u00e1 somente na reposi\u00e7\u00e3o dos profissionais que se aposentam ou migram para outras \u00e1reas, mas tamb\u00e9m na baixa atratividade da profiss\u00e3o. Sal\u00e1rios pouco competitivos, ambientes de trabalho desgastantes e riscos \u00e0 sa\u00fade t\u00eam afastado principalmente os mais jovens. A juventude busca alternativas com menos exposi\u00e7\u00e3o e maior flexibilidade. Inclusive as mulheres\u201d<\/p>\n<p>Para entender melhor o fen\u00f4meno, o presidente da Contracs elucida a quest\u00e3o sobre o ponto de vista dos trabalhadores e trabalhadoras do setor e n\u00e3o dos patr\u00f5es que querem se desresponsabilizar-se da quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Condi\u00e7\u00f5es de trabalho, sal\u00e1rios baixos e leis trabalhistas<\/p>\n<p>Julimar entende que a escassez de m\u00e3o de obra no setor de supermercados e hipermercados n\u00e3o \u00e9 um problema isolado. Pelo contr\u00e1rio, \u00e9 resultado de uma combina\u00e7\u00e3o de fatores estruturais que afetam diretamente as condi\u00e7\u00f5es de trabalho oferecidas por esses estabelecimentos. Ele destacou, ainda, outros pontos que explicam a fuga de profissionais desses locais.<\/p>\n<p>As condi\u00e7\u00f5es oferecidas s\u00e3o consideradas desgastantes. \u201cN\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o ou preparo t\u00e9cnico. \u00c9 uma escolha consciente dos trabalhadores por ambientes menos explorat\u00f3rios\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Um segundo fator apontado pelo presidente da Contracs \u00e9 o impacto das reformas trabalhistas. Essas mudan\u00e7as dificultaram as negocia\u00e7\u00f5es coletivas e resultaram na precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho. O setor de supermercados, por exemplo, figura entre os que pagam os piores sal\u00e1rios e oferecem os ambientes mais insalubres.<\/p>\n<p>Com o mercado de trabalho aquecido \u2013 a taxa de desemprego est\u00e1 em torno de 4%, segundo dados recentes \u2013, os profissionais encontram oportunidades em outros segmentos. \u201cHoje, os trabalhadores e as trabalhadoras buscam n\u00e3o apenas remunera\u00e7\u00e3o digna, mas tamb\u00e9m qualidade de vida. Isso inclui um ambiente de trabalho justo e hor\u00e1rios compat\u00edveis com suas necessidades familiares\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Escala de trabalho inadequada<\/p>\n<p>Outro ponto crucial \u00e9 a rigidez das escalas de trabalho. A tradicional jornada 6&#215;1, comum em supermercados, j\u00e1 n\u00e3o atende \u00e0s expectativas dos profissionais. Mesmo quando h\u00e1 aumento de sal\u00e1rio ou benef\u00edcios adicionais, como plano de sa\u00fade, a prefer\u00eancia \u00e9 por empregos em outras \u00e1reas.<\/p>\n<p>\u201cO trabalhador quer uma carga hor\u00e1ria menor e uma rotina que permita descanso e conv\u00edvio familiar. Hoje, ele entende que trabalha para viver, e n\u00e3o vive para trabalhar\u201d,<\/p>\n<p>Qualifica\u00e7\u00e3o e novas tecnologias<br \/>\nO avan\u00e7o tecnol\u00f3gico exige uma revis\u00e3o das pr\u00e1ticas de trabalho. Escalas mais flex\u00edveis e justas podem ser o caminho para atrair novamente os trabalhadores. Com o aumento do n\u00famero de postos de trabalho dispon\u00edveis, os profissionais conseguem migrar para setores mais atrativos, como ind\u00fastrias ou outros ramos do servi\u00e7o. \u201cEles t\u00eam acesso a op\u00e7\u00f5es melhores e n\u00e3o veem motivos para permanecer em um supermercado\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Supermercados e hipermercados<\/p>\n<p>O setor dos supermercados \u00e9 um dos que est\u00e3o dentro dessa an\u00e1lise que joga o problema da escassez da m\u00e3o de obra nas costas do trabalhador brasileiro com o argumento de falta de capacita\u00e7\u00e3o. Segundo dados da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Supermercados (Abras), divulgados em setembro de 2024, o setor enfrenta uma crise sem precedentes: 357 mil vagas est\u00e3o abertas, representando 3,9% do total de trabalhadores empregados.<\/p>\n<p>Segundo a Abras, os motivos s\u00e3o as taxas de desemprego em n\u00edveis historicamente baixos que reduziu o n\u00famero de candidatos dispon\u00edveis no mercado e a mudan\u00e7a no perfil dos jovens. Tradicionalmente, os supermercados eram o primeiro emprego de muitos. Hoje, eles preferem trabalhos informais ou investem em neg\u00f3cios pr\u00f3prios.<\/p>\n<p>Dados do IBGE mostram que o n\u00famero de jovens entre 18 e 29 anos com empresas cresceu 23% entre 2013 e 2023. No entanto, apenas 8,6% desses empreendedores s\u00e3o empregadores, indicando precariza\u00e7\u00e3o e informalidade. Outro obst\u00e1culo, para os empres\u00e1rios, rebatido acima pelos sindicalistas, \u00e9 a falta de qualifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O \u00faltimo dado \u00e9 de um levantamento feito pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio de Bens, Servi\u00e7os e Turismo (CNC), a pedido do jornal O Estado de S. Paulo, e divulgado em 12 de mar\u00e7o deste ano, \u00e9 que h\u00e1 escassez de m\u00e3o de obra em oito das 10 ocupa\u00e7\u00f5es mais importantes de folha de pagamentos, que correspondem a 70% da for\u00e7a de trabalho do setor de supermercados.<\/p>\n<p>Constru\u00e7\u00e3o Civil<\/p>\n<p>Um outro setor que vem jogando o problema da escassez da m\u00e3o de obra na conta do trabalhador brasileiro \u00e9 o da constru\u00e7\u00e3o civil.<\/p>\n<p>Uma pesquisa da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas aponta que 82% das empresas da constru\u00e7\u00e3o est\u00e3o com dificuldade de contratar novos trabalhadores.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 muito normal faltar entre 20 e 30% de m\u00e3o de obra em cada canteiro que a gente administra. M\u00e3o de obra \u00e9 hoje o nosso grande gargalo&#8221;, afirmou Sylvio Pinheiro, diretor da G+P Solu\u00e7\u00f5es, numa entrevista dada ao Jornal Nacional no \u00faltimo s\u00e1bado (22).\u201d Profissional com experi\u00eancia ent\u00e3o? Est\u00e1 mais dif\u00edcil ainda de encontrar; 70% dos empres\u00e1rios dizem que n\u00e3o conseguem m\u00e3o de obra qualificada\u201d, afirmou na reportagem e acrescentou: \u201celetricista, mestre de obra, pedreiros, a gente n\u00e3o tem mais encanadores, instaladores. N\u00e3o tenho mais t\u00e3o t\u00e9cnico como tinha antigamente&#8221;.<\/p>\n<p>Para o presidente da Conticom, a constru\u00e7\u00e3o civil, \u00e9 um dos pilares da economia brasileira, vive hoje um dilema cr\u00edtico: a falta de renova\u00e7\u00e3o na m\u00e3o de obra. A m\u00e9dia de idade dos trabalhadores saltou de 35 anos para impressionantes 45 anos na \u00faltima d\u00e9cada. \u201cEsse envelhecimento preocupa empres\u00e1rios e especialistas, que v\u00eaem na aus\u00eancia de jovens no setor uma amea\u00e7a ao futuro da atividade\u201d, disse.<\/p>\n<p>Filhos de oper\u00e1rios, muitas vezes, preferem carreiras informais como entregadores ou motoboys. Essas ocupa\u00e7\u00f5es, embora igualmente arriscadas, oferecem autonomia e dispensam v\u00ednculos empregat\u00edcios formais. No entanto, Cl\u00e1udio alerta \u201cque esses trabalhadores n\u00e3o contam com as mesmas prote\u00e7\u00f5es e medidas de seguran\u00e7a garantidas pela legisla\u00e7\u00e3o trabalhista\u201d.<\/p>\n<p>Ambiente hostil e falta de incentivo<\/p>\n<p>Outro fator que contribui para o desinteresse \u00e9 o pr\u00f3prio ambiente de trabalho. Exposi\u00e7\u00e3o a intemp\u00e9ries, jornadas extenuantes e condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias s\u00e3o realidades conhecidas na constru\u00e7\u00e3o civil. Esses aspectos desestimulam n\u00e3o s\u00f3 os jovens, mas tamb\u00e9m as mulheres, que poderiam ser uma solu\u00e7\u00e3o para o d\u00e9ficit de m\u00e3o de obra.<\/p>\n<p>Apesar disso, poucas empresas t\u00eam investido em pol\u00edticas que incentivem a participa\u00e7\u00e3o feminina no setor. &#8220;H\u00e1 um mercado potencial sendo ignorado&#8221;, criticou o presidente da Conticom. Ainda assim, iniciativas nesse sentido permanecem t\u00edmidas e insuficientes para reverter o cen\u00e1rio.<\/p>\n<p>Solu\u00e7\u00f5es paliativas e desafios estruturais<\/p>\n<p>Diante da crise, o setor tem buscado alternativas, mas muitas delas carecem de efic\u00e1cia. Um exemplo \u00e9 a parceria entre a C\u00e2mara Brasileira da Constru\u00e7\u00e3o e benefici\u00e1rios do Cadastro \u00danico (Cad\u00danico), programa social do governo federal. Embora essas pessoas possam ingressar temporariamente na atividade, sua perman\u00eancia \u00e9 incerta. &#8220;Sem mudan\u00e7as estruturais, dificilmente elas se engajar\u00e3o&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Mudan\u00e7as agora<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o civil enfrenta um desafio de sobreviv\u00eancia. Sem uma for\u00e7a de trabalho renovada e motivada, o setor corre o risco de perder relev\u00e2ncia no cen\u00e1rio econ\u00f4mico. Para evitar isso, \u00e9 necess\u00e1rio repensar desde as condi\u00e7\u00f5es de trabalho at\u00e9 as estrat\u00e9gias de recrutamento.<\/p>\n<p>Como resumiu o sindicalista Claudinho: &#8220;valorizar a profiss\u00e3o e torn\u00e1-la atrativa \u00e9 o primeiro passo para garantir o futuro da constru\u00e7\u00e3o civil. \u201cResta saber se empres\u00e1rios e governantes estar\u00e3o \u00e0 altura do desafio\u201d.<\/p>\n<p><em>(Fonte: CUT Nacional, 25\/03\/2025. Luiz R Cabral\/Rosely Rocha)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aus\u00eancia de pol\u00edticas atrativas explica a falta de trabalhadores em setores como supermercados e constru\u00e7\u00e3o civil, e n\u00e3o \u00e9 aus\u00eancia de qualifica\u00e7\u00e3o, apontam presidentes da Contracs e Conticom Ultimamente setores de supermercado e da constru\u00e7\u00e3o civil t\u00eam divulgado em sites especializados do setor e em grandes empresas de comunica\u00e7\u00e3o que est\u00e3o com dificuldades de contrata\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":2483,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":{"0":"post-2482","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-noticias"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sindticccba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2482","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sindticccba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sindticccba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sindticccba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sindticccba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2482"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sindticccba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2482\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2484,"href":"https:\/\/sindticccba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2482\/revisions\/2484"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sindticccba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2483"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sindticccba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2482"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sindticccba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2482"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sindticccba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2482"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}