{"id":1773,"date":"2024-06-13T10:57:43","date_gmt":"2024-06-13T13:57:43","guid":{"rendered":"https:\/\/sindticccba.org.br\/?p=1773"},"modified":"2024-06-13T10:57:43","modified_gmt":"2024-06-13T13:57:43","slug":"trabalhadores-negros-ganham-32-menos-escolaridade-diminui-distancia-diz-insper","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindticccba.org.br\/index.php\/2024\/06\/13\/trabalhadores-negros-ganham-32-menos-escolaridade-diminui-distancia-diz-insper\/","title":{"rendered":"Trabalhadores negros ganham 32% menos; escolaridade diminui dist\u00e2ncia, diz Insper"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_952\" aria-describedby=\"caption-attachment-952\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-952\" src=\"https:\/\/sindticccba.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Cinquentinha-300x143.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"143\" srcset=\"https:\/\/sindticccba.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Cinquentinha-300x143.png 300w, https:\/\/sindticccba.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Cinquentinha.png 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-952\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Shutterstock<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os trabalhadores negros ganham em m\u00e9dia 32% a menos em compara\u00e7\u00e3o com os brancos no Brasil. Se forem levados em considera\u00e7\u00e3o fatores al\u00e9m da ra\u00e7a, como os anos de escolaridade, o local de resid\u00eancia e o tipo de ocupa\u00e7\u00e3o, a diferen\u00e7a de rendimentos \u00e9 de 9%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As conclus\u00f5es est\u00e3o presentes no estudo \u201cDisparidades salariais raciais: o papel da educa\u00e7\u00e3o privada, t\u00e9cnica e da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o\u201d, realizado pelo N\u00facleo de Estudos Raciais, do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pesquisadores Alysson Portella e Michael Fran\u00e7a se basearam nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (Pnad Cont\u00ednua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), referentes ao segundo trimestre de 2018 e 2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A an\u00e1lise aponta que os anos de escolaridade s\u00e3o um dos principais fatores que explicam essas discrep\u00e2ncias.<br \/>\nEla explica 23% das diferen\u00e7as entre brancos e negros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o estudo, as habilidades adquiridas por meio da educa\u00e7\u00e3o formal se tornaram mais importantes para o mercado de trabalho nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA educa\u00e7\u00e3o desempenha um papel relevante na redu\u00e7\u00e3o das desigualdades salariais raciais. O ensino de qualidade contribui de forma substancial para gerar melhores oportunidades de renda para a popula\u00e7\u00e3o negra, mas \u00e9 um erro achar que o estudo vai resolver tudo\u201d, aponta Fran\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro dado revelado pelo estudo \u00e9 que as maiores diferen\u00e7as salariais entre brancos e negros est\u00e3o nos dois extremos financeiros. Entre os 20% mais pobres, a discrep\u00e2ncia pode ultrapassar os 40%. Por outro lado, os dados apontam que o sal\u00e1rio m\u00ednimo tem o efeito de reduzir essa disparidade. Quanto mais pr\u00f3ximo do sal\u00e1rio m\u00ednimo o trabalhador estiver menor \u00e9 a diferen\u00e7a racial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste caso, as principais diferen\u00e7as na distribui\u00e7\u00e3o de rendimentos se d\u00e3o pelo tipo de contrato de trabalho e por disparidades regionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 entre os 5% mais ricos do Pa\u00eds, a distin\u00e7\u00e3o chega a 55%, a maior entre todas as faixas de renda. \u201cA discrimina\u00e7\u00e3o e as barreiras invis\u00edveis que impedem a ascens\u00e3o dos negros parecem ser mais pronunciadas no topo. Esses obst\u00e1culos n\u00e3o s\u00e3o oficialmente institucionalizados, mas s\u00e3o sustentados por express\u00f5es de preconceitos, muitas vezes sutis, estere\u00f3tipos e discrimina\u00e7\u00f5es que limitam as oportunidades de crescimento dos profissionais negros\u201d, comenta Fran\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cBrancos e negros enfrentam diferentes desafios para conseguir uma promo\u00e7\u00e3o no trabalho, por exemplo. A discrimina\u00e7\u00e3o est\u00e1 por tr\u00e1s disso, seja como um preconceito expl\u00edcito ou por meio de pessoas que nem percebem que est\u00e3o sendo discriminat\u00f3rias\u201d, conclui Portella.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desigualdades regionais s\u00e3o desafio<br \/>\nPortella explica que o investimento em educa\u00e7\u00e3o tem mais visibilidade entre os mecanismos com potencial para reduzir essas diferen\u00e7as raciais por ser o meio mais f\u00e1cil de agir e gerar menos conflitos pol\u00edticos. Por outro lado, o local de resid\u00eancia tamb\u00e9m tem influ\u00eancia, mas representa um desafio maior na vis\u00e3o dos pesquisadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cReduzir essas disparidades regionais \u00e9 bem mais dif\u00edcil. O Brasil \u00e9 extremamente desigual entre as suas regi\u00f5es. N\u00e3o tem uma f\u00f3rmula exata para corrigir essa situa\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 importante pensar nesse aspecto\u201d, explica Portella.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com os resultados do Censo 2022, realizado pelo IBGE, a Regi\u00e3o Norte possui a maior propor\u00e7\u00e3o de negros, com 76% dos habitantes autodeclarados pretos ou pardos. Em segundo lugar, est\u00e1 o Nordeste (72,6%). J\u00e1 o Sul tem a maior concentra\u00e7\u00e3o de brancos (72,6%), seguido pelo Sudeste, com 49,9%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tamanho do impacto de cada elemento da pesquisa tamb\u00e9m pode variar conforme o g\u00eanero. Enquanto os anos de escolaridade s\u00e3o o principal motivo para a diferen\u00e7a salarial entre homens brancos e negros, os dois elementos determinantes para as mulheres negras s\u00e3o o tipo de ocupa\u00e7\u00e3o ou cargo e o modelo do contrato de trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portella acredita que as trabalhadoras s\u00e3o mais afetadas por conta do machismo. O pesquisador explica que elas precisam superar mais desafios para crescer profissionalmente porque a sociedade ainda enxerga as tarefas dom\u00e9sticas e os cuidados com as crian\u00e7as como uma responsabilidade feminina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"assinatura_exclusiva\" style=\"font-size: 10px;\">Geovanna Hora\/Estad\u00e3o Conte\u00fado<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os trabalhadores negros ganham em m\u00e9dia 32% a menos em compara\u00e7\u00e3o com os brancos no Brasil. 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