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Trabalhadores negros ganham 32% menos; escolaridade diminui distância, diz Insper

Foto: Shutterstock

Os trabalhadores negros ganham em média 32% a menos em comparação com os brancos no Brasil. Se forem levados em consideração fatores além da raça, como os anos de escolaridade, o local de residência e o tipo de ocupação, a diferença de rendimentos é de 9%.

As conclusões estão presentes no estudo “Disparidades salariais raciais: o papel da educação privada, técnica e da pós-graduação”, realizado pelo Núcleo de Estudos Raciais, do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper).

Os pesquisadores Alysson Portella e Michael França se basearam nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referentes ao segundo trimestre de 2018 e 2019.

A análise aponta que os anos de escolaridade são um dos principais fatores que explicam essas discrepâncias.
Ela explica 23% das diferenças entre brancos e negros.

Segundo o estudo, as habilidades adquiridas por meio da educação formal se tornaram mais importantes para o mercado de trabalho nas últimas décadas.

“A educação desempenha um papel relevante na redução das desigualdades salariais raciais. O ensino de qualidade contribui de forma substancial para gerar melhores oportunidades de renda para a população negra, mas é um erro achar que o estudo vai resolver tudo”, aponta França.

Outro dado revelado pelo estudo é que as maiores diferenças salariais entre brancos e negros estão nos dois extremos financeiros. Entre os 20% mais pobres, a discrepância pode ultrapassar os 40%. Por outro lado, os dados apontam que o salário mínimo tem o efeito de reduzir essa disparidade. Quanto mais próximo do salário mínimo o trabalhador estiver menor é a diferença racial.

Neste caso, as principais diferenças na distribuição de rendimentos se dão pelo tipo de contrato de trabalho e por disparidades regionais.

Já entre os 5% mais ricos do País, a distinção chega a 55%, a maior entre todas as faixas de renda. “A discriminação e as barreiras invisíveis que impedem a ascensão dos negros parecem ser mais pronunciadas no topo. Esses obstáculos não são oficialmente institucionalizados, mas são sustentados por expressões de preconceitos, muitas vezes sutis, estereótipos e discriminações que limitam as oportunidades de crescimento dos profissionais negros”, comenta França.

“Brancos e negros enfrentam diferentes desafios para conseguir uma promoção no trabalho, por exemplo. A discriminação está por trás disso, seja como um preconceito explícito ou por meio de pessoas que nem percebem que estão sendo discriminatórias”, conclui Portella.

Desigualdades regionais são desafio
Portella explica que o investimento em educação tem mais visibilidade entre os mecanismos com potencial para reduzir essas diferenças raciais por ser o meio mais fácil de agir e gerar menos conflitos políticos. Por outro lado, o local de residência também tem influência, mas representa um desafio maior na visão dos pesquisadores.

“Reduzir essas disparidades regionais é bem mais difícil. O Brasil é extremamente desigual entre as suas regiões. Não tem uma fórmula exata para corrigir essa situação, mas é importante pensar nesse aspecto”, explica Portella.

De acordo com os resultados do Censo 2022, realizado pelo IBGE, a Região Norte possui a maior proporção de negros, com 76% dos habitantes autodeclarados pretos ou pardos. Em segundo lugar, está o Nordeste (72,6%). Já o Sul tem a maior concentração de brancos (72,6%), seguido pelo Sudeste, com 49,9%.

O tamanho do impacto de cada elemento da pesquisa também pode variar conforme o gênero. Enquanto os anos de escolaridade são o principal motivo para a diferença salarial entre homens brancos e negros, os dois elementos determinantes para as mulheres negras são o tipo de ocupação ou cargo e o modelo do contrato de trabalho.

Portella acredita que as trabalhadoras são mais afetadas por conta do machismo. O pesquisador explica que elas precisam superar mais desafios para crescer profissionalmente porque a sociedade ainda enxerga as tarefas domésticas e os cuidados com as crianças como uma responsabilidade feminina.

Geovanna Hora/Estadão Conteúdo

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